sexta-feira, 19 de junho de 2009

Considerações á cerca do Processo Seletivo de Professor Temporário e Candidato á Docência da rede Pública do Estado de São Paulo

A virada do último século para o presente, trouxe consigo intensos desafios nos mais diversos campos, e destes tantos, um que merece especial destaque é o setor da Educação, seja ela pública ou privada. No Estado de São Paulo, vivemos em meio a um colapso educacional, que vêem se prolongando por alguns anos, a até a presente data, não foi possível alvitrar uma solução plausível.

No último dia 17 de dezembro, foi realizada na capital de São Paulo o Processo Seletivo de Professor Temporário e Candidato á Docência da rede Pública estadual, que tem por objetivo primordial, proporcionar um salto de qualidade ao mesmo ensino. Estive presente na condição de candidato para as disciplinas de História e Geografia, sendo este o quarto ano consecutivo que leciono na rede, algo me chamou a atenção, proporcionando ao mesmo tempo, sentimentos como: Esperança, revolta e preocupação.
Apresentei-me conforme convocado ás 07:30 h na Escola Estadual Calhim Manoel Abud, localizada na rua Oscar Fernandes, s/n, na Vila Califórnia, escola esta pertencente a Diretoria de Ensino Sul 3/ São Paulo, esta é considerada escola modelo na região citada.
A prova teve início ás 08:40 e é de extrema importância citar alguns detalhes; a mídia é responsável por divulgar que a ineficiência da educação pública é resultada do péssimo desempenho dos professores que na grande maioria estão desatualizados e desmotivados, gerando assim um grande entrave para a educação.
A Sociedade do século XXI é uma sociedade Sui Generis, com especificidades extremamente próprias e complexas, ou seja, é a sociedade da informação instantânea, demasiadamente prática e volátil, que se impressiona com efeitos especiais criados pela “Era Digital” e pela gama de relacionamentos Virtuais, que atingiram o topo da audiência popular, onde durante anos pertenceu quase que totalmente a Televisão. É a “Geração do Orkut” das mensagens instantâneas do MSN e dos jogos em rede.
Por todo este avanço há um preço a ser pago, e este preço parece ser caro demais, pelo menos para a educação paulistana, uma vez que esta deve acompanhar avanço social, caso contrário não será possível atender satisfatoriamente as demandas.
Posicionei-me em um local estratégico da sala de Nº 12 que possuía 42 acentos desconsiderando o do professor, e iniciei minha análise:
A sala era pequena, as cadeiras e carteiras parecem ter sido projetadas no tempo que nossas crianças não cresciam tanto, ou pelo menos demoravam mais para se desenvolver fisicamente, e quando isto acontecia, já haviam alcançado a idade de deixar a escola (são muito desconfortáveis),as paredes apresentavam duas cores, cinza na parte inferior e branco na parte superior, em cima do velho quadro verde de giz estavam coladas duas fotografias, uma do Sistema Solar e outra do Universo, ambas em apenas duas cores: Branco e Magenta, e por fim as cortinas em cinza e o velho ventilador que a eficiência é duvidosa, não havia nada naquela sala que me chamasse a atenção a não ser dois chicletes já mascados colados na parte superior da sala, e por que não dizer estrategicamente colados para dificultar a remoção, dificultar exatamente para prolongar a transmissão da mensagem que aqueles dois agentes foram incumbidos, a mensagem era a seguinte:
“Algum dia estudou aqui pessoas de verdade, de carne e osso, pessoas com sentimentos, preferências, pessoas Vivas”.
De forma prática, este ambiente nada de interessante tem a oferecer a geração do século XXI que valoriza as cores fortes, cenas impactantes e sons estrondosos; faltavam neste momento para completar o cenário do ensino catastrófico de São Paulo apenas um tipo de personagem, os alunos. Os professores lá estavam sendo avaliados e pelo que pude perceber em uma sala com capacidade de 42 lugares ocupados frequentemente por adolescentes neste perfil que citei, é muita inocência ou um descaso desumano por parte do Estado achar que “Largar” um professor mal remunerado (que para sobreviver tem de trabalhar três períodos durante o dia), sem cursos de aperfeiçoamento e sem nenhum recurso de áudio, visual, ou quaisquer materiais didático pedagógico a não ser o quadro negro, e ainda assim cobrar resultados?, Autoridades, acho que precisamos começar a falar sério quando o assunto for Educação! Esta é a parte remete á revolta, a Esperança e Preocupação estão entrelaçadas no que tange a tentativa de universalização do ensino, mas este é um assunto que merece melhor apreço em outra oportunidade.

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